OPERAÇÃO GALINHA – O “perigoso” terrorista gaúcho que cria e vende galinhas no interior Morro Redondo/RS

“Acredito que ele errou pela ignorância dele”. – “Não estava entendendo o que era aquela ação dentro da minha casa. Policiais fortemente armados dizendo que meu filho tem envolvimento com grupo terrorista. Fiquei desesperado, sem saber o que fazer”, diz pai do acusado de terrorismo, preso em Morro Redondo/RS.


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Israel Pedra Mesquita, 26 anos, natural de Pelotas, foi preso nesta quinta-feira (21) na Zona Rural de Morro Redondo por agentes da Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de envolvimento com grupo terrorista ligado ao Estado Islâmico (EI). Ele e a família moravam há um mês e três dias na localidade conhecida como Açoita Cavalo. Antes, o suspeito vivia com os pais e o irmão na Gotuzzo, Fragata, bairro de Pelotas.

Conforme a investigação, ele e outros investigados de diversas partes do país aderiram ao Estado Islâmico. Em conversas pelo chat, elogiaram os recentes atentados em Nice e Orlando e falavam sobre perpetrar atos terroristas no Rio. Chegaram a discutir a compra de armas.

— Ele não é um bandido. Simplesmente falou com a pessoa errada na hora errada. Passaram esse “zap zap” aí. Ele, inocentemente respondeu, achando que estava fazendo uma grande coisa. É um idiota, foi aceitar conversar com um cara que nem conhece. Ele nunca nos falou nada. Ele disse que estava conversando com amigos. O delegado perguntou qual era o plano. Ele disse que não tinha plano nenhum, que não faria atentado. Disse que foi respondendo mensagens, sem saber o que estava acontecendo — relatou o pai.

Há 20 dias, Mesquita mora em uma propriedade rural de três hectares com o pai, a mãe, o avô e o irmão mais novo. Para chegar ao local, é preciso atravessar quilômetros de estrada de chão batido. É um lugar absolutamente interiorano. Depois do anoitecer, raramente se encontra alguém na rua. O mais presente é o cheiro de lenha queimada nos fogões das poucas casas. Antes, o detido residia desde a infância em Pelotas.

O pai diz que o filho usava bastante o celular. Era uma das formas de contato para receber encomendas de galinhas. Clientes iam até a propriedade da família para buscar os animais criados pelo suspeito de envolvimento com o terrorismo.

— O pessoal sempre ligava para comprar as galinhas dele. Ele estava sempre mexendo naquilo (celular) — contou.

O suspeito passava os dias na propriedade, conforme relato do pai. Tratava as galinhas e planejava começar uma criação de vacas. Cortava lenha e galhos. É caseiro, cuidava do avô, que passa a maior parte do tempo acamado, e aprecia pescaria, cavalos e chimarrão. O pai diz que ele pouco se envolvia com amigos ou festas. Não bebia e tampouco usava drogas.

A família, que é católica, mas não praticante, desconhece que ele tenha adotado nome árabe. Na porteira de arame da propriedade, trajando roupas simples, o pai demonstrou perplexidade e, por vezes, embargou a voz. Disse acreditar na inocência do filho, confessou estar envergonhado e com medo de perseguição a sua família. Está decidido a retirar um outro filho da escola em Pelotas, por temer represálias.

O suspeito é descrito pelo pai – caminhoneiro de 57 anos que preferiu não se identificar – como rapaz tranquilo, com fé em Deus e ligado à família. Segundo ele, o filho estava sempre na volta de casa, ajudando os familiares. “Ele nunca apresentou comportamento diferente. Sempre meu amigo, companheiro da mãe dele, carinhoso com o irmão e o avô”, disse. Conforme o motorista, o rapaz não tinha namorada e usava muito a internet via celular. “Eu não tinha como saber o que ele estava fazendo ou com quem estava falando pelas redes sociais. Não digo que ele foi ingênuo de se relacionar com essas pessoas, foi uma escolha infeliz dele. Meu filho não é criminoso”, desabafou. “Sempre ensinei para ele o bem, os bons modos. Como trabalhador, tentei dar exemplo de honestidade e bondade”, lamentou.

Segundo o pai do suspeito, agentes da Polícia Federal chegaram à sua propriedade por volta das 5h. Os policiais apresentaram mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça e perguntaram ao jovem onde estariam os explosivos e armamento. “Não estava entendendo o que era aquela ação dentro da minha casa. Policiais fortemente armados dizendo que meu filho tem envolvimento com grupo terrorista. Fiquei desesperado, sem saber o que fazer”, lembrou.
Conteúdo Zero Hora e Diário Gaúcho

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