O teatro de mentira dos Senadores da República

Quem conta é Isabela Bonfim, de O Estado de S.Paulo .Rivalidade entre senadores muda atrás das câmeras. Clima de tensão nas sessões de julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff fica só no plenário do Senado.


Este conteúdo é produzido por CristalVox. Apoie nosso trabalho curtindo nossa página

Quem acompanha as sessões do julgamento de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff pela TV nem sempre consegue captar o clima interno entre os senadores no plenário. Acordos entre parlamentares, discussões paralelas e até mesmo momentos de descontração acabam passando despercebidos. O clima de tensão e rivalidade que aparece diante das câmeras não traduz o conjunto das relações entre os senadores, que fora da disputa política, mantêm um relacionamento mais amigável.

Isso ocorre porque a transmissão oficial do julgamento, feita pela TV Senado, respeita o direito de fala. Ou seja, a imagem é sempre de quem detém o microfone. Na hora do discurso, senadores vestem personagens que, por vezes, não correspondem com o que são nos bastidores, onde as lentes da TV não alcançam.

Enquanto o público assistia nesta sexta-feira, 26, ao depoimento do auditor fiscal Antônio Carlos D’Ávila, no fundo do plenário, o combativo líder da minoria, Lindbergh Farias (PT-RJ), se uniu à uma roda de rivais tucanos, onde deu início a uma longa conversa cheia de risadas com dois dos maiores críticos do governo Dilma, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
Encontros pouco prováveis também ocorrem atrás das câmeras. Poucos sabem, mas o advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, e os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Aécio Neves (PSDB-MG), que muitas vezes aparecem nos vídeos se confrontando, são amigos de longa data. Cardozo já foi deputado federal e conviveu com os colegas em sua temporada na Câmara.

Durante um depoimento pouco empolgante de sua própria testemunha, ele preferiu virar sua cadeira de costas para a mesa central e passou quase uma hora dando risadas com os rivais políticos Aécio e Caiado.

Reconciliações. As câmeras destacam os bate-bocas, mas escondem as reconciliações. Quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), insinuou que teria livrado Gleisi Hoffmann de um indiciamento no STF, uma grande confusão se iniciou. No intervalo para o almoço, alguns tiveram a iniciativa de pedir desculpas. Outros, como o próprio Renan, precisaram de um empurrãozinho do colega Jorge Viana (PT-AC) para entender que haviam passado dos limites. Mais tarde, Renan resolveu dar explicações. Dessa vez, com as câmeras ligadas.

 

%d blogueiros gostam disto: