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O “esperto” Eduardo Cunha foi “traído” até na propina

Acusado de receber propina de contratos do fundo de investimentos FI-FGTS, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha foi passado para trás pelo menos uma vez. Foi o que afirmou Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa e ex-integrante do conselho do fundo. Segundo Cleto, o combinado era que Cunha ficasse com 80% da propina paga por empresas interessadas em obter financiamentos do FI-FGTS. Mas isso não ocorreu em um caso: na liberação de R$ 500 milhões para um projeto habitacional em Pernambuco, da empresa Moura Dubeux.
Segundo Cleto, a trama foi articulada pelo doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Em sua delação premiada, Cleto contou que, normalmente, ficava com 4% da propina, Funaro com 12% e Alexandre Margotto, sócio do doleiro, com outros 4%. Mas, no financiamento do projeto habitacional, Funaro combinou com os dois para não falarem nada a Cunha. Assim, os três dividiriam igualmente a propina, que totalizaria R$ 14 milhões. Funaro, porém, não cumpriu o acordo e Cleto recebeu apenas R$ 75 mil. Não restou alternativa a não ser aceitar calado. Segundo o termo de depoimento prestado em abril deste ano, Cleto disse que “não cobrou de Funaro o valor restante da propina devida pois sabia que seria infrutífera a cobrança”.


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No mesmo dia, ele relatou outro compromisso não cumprido por Funaro, que prometeu R$ 1 milhão a Cleto para alterar um contrato firmado com a empresa de celulose Eldorado, do grupo J&F, o mesmo do frigorífico JBS. Pelos mesmos motivos — “seria uma cobrança infrutífera” —, Cleto não reclamou o calote sofrido.

Procurados, os advogados de Funaro informaram que não tomaram conhecimento da delação de Cleto. A Moura Dubeux informou que não teve acesso à delação e negou pagamento de propina a funcionários da Caixa ou intermediários. A Caixa não deu retorno ao GLOBO.

Em outro depoimento, Cleto relatou que recebeu propina por um negócio no qual ele não teve influência nenhuma: a liberação de R$ 250 milhões para obras do Corredor Raposo Tavares, uma concessão obtida pela OAS em São Paulo.

Conteúdo O Globo