Ministro da Justiça de Temer pode cair antes da Olimpíada

O Palácio do Planalto ficou bastante insatisfeito com o desempenho de Moraes na coletiva que comunicou a prisão de membros de uma “suposta” célula terrorista no Brasil.  Considera que ele foi mal no papel de autoridade encarregada de tratar de forma equilibrada um fato delicado, de repercussão internacional. “Ele está fazendo aqui o que fazia em São Paulo”, diz um ministro. “Mas aqui é Brasília.” Outro ministro avalia que Moraes falou menos como ministro e mais como candidato – algo que foi aventado quando ainda era secretário de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Moraes já deu mostras de que gosta de política e da exposição que ela proporciona.


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Diante de jornalistas e de um fato delicado, com repercussão internacional, o principal erro de Moraes foi passar mensagens contraditórias.  No final da entrevista, Moraes passou a imagem da soberba. Disse pouco antes que, na investigação, a Polícia Federal captara trocas de mensagens, inclusive pelo aplicativo WhatsApp, entre os integrantes do grupo. Uma jornalista fez uma pergunta simples e direta – como devem ser as melhores perguntas: como a PF conseguiu captar essas mensagens se a Justiça pediu o bloqueio do aplicativo dias atrás, justamente porque alegava não conseguir esse tipo de acesso e a proprietária do serviço se recusava a fornecer o conteúdo de mensagens? Moraes deu um gole na água, riu e admoestou: “Pelo amor de Deus, né?”, disse. Esnobou a missão de jornalistas de perguntar. Um assessor a seu lado alertou para que não respondesse, mas ele prosseguiu. “Não, eu respondo”, disse. E prosseguiu: “Qualquer mecanismo de investigação importante não pode ser falado em uma entrevista coletiva, para avisar supostos terroristas como se investiga. A pergunta, com todo o respeito, a pergunta, se for respondida, atrapalha não só esta investigação, como outras inúmeras investigações”. E terminou: “Eu pedi para perguntar tudo, só não falei que ia responder a tudo”, disse. O vídeo da coletiva dá ao governo um poderoso argumento para obrigar Moraes a fazer media training.
Conteúdo Época.

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