“Menti para não destruir Dilma” – Recebemos do caixa dois do PT US$ 4,5 milhões em uma conta secreta na Suíça

Diante do juiz Sérgio Moro, o marqueteiro João Santana confessa ter recebido US$ 4,5 milhões do caixa dois do PT e revela mais um crime da presidente afastada, o que torna insustentável qualquer possibilidade de seu retorno ao Palácio do Planalto.  O dinheiro é parte da propina do Petrolão…


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Já em processo de negociação para delação premiada, o marqueteiro João Santana e sua mulher, Monica Moura, prestaram um bombástico depoimento ao juiz Sérgio Moro na quinta-feira 21. Responsável pelas campanhas presidenciais do PT em 2006, 2010 e 2014, Santana foi taxativo. “Recebemos do caixa dois do PT US$ 4,5 milhões em uma conta secreta na Suíça”, afirmou o publicitário. Em fevereiro, quando foram presos pela Lava Jato, Santana e Monica disseram que o dinheiro era produto de campanhas feitas no Exterior.

Indagado pelo juiz sobre a contradição entre as duas versões, o marqueteiro respondeu: “Menti para não destruir Dilma”. Agora, destruiu! Ao admitir o recebimento ilegal dos US$ 4,5 milhões, Santana e Monica acrescentam mais um crime no currículo da presidente afastada, Dilma Rousseff. E, ao contrário do que tentaram demonstrar, não se trata apenas de caixa dois de campanha eleitoral. Trata-se de corrupção. O depoimento dado pelo marqueteiro confirma que os US$ 4,5 milhões recebidos na Suíça eram parte da cota petista da propina do Petrolão, ou seja, dinheiro público desviado da Petrobras.

Santana e Monica disseram ao juiz Moro que para receber o dinheiro foram orientados pelo então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a procurarem o doleiro Zwi Skornicki, que foi efetivamente o responsável pelos depósitos. Skornicki está preso pela operação Lava Jato e, em processo de fechar uma delação premiada, admitiu ser operador de propinas da Petrobras. Ele representava os interesses do estaleiro Keppel Fels em contratos com a estatal e, em fevereiro, confidenciou aos procuradores da Lava Jato que parte da propina cobrada por Pedro Barusco (ex-gerente de Serviços da Petrobras) foi destinada a João Santana. No depoimento da quinta-feira 21, Santana confirmou tudo e fechou o quebra-cabeças de Moro. Agora, ficou provado quem pagou e quem recebeu a propina.

Segundo Skornicki, embora a Keppel Fels tenha oferecido preços mais baixos para a construção da plataforma P-52, a propina foi exigida para que a empresa pudesse fazer a obra sem atrasos no fluxo de pagamentos. Ele também afirmou ter pago taxas de corrupção para se favorecer em contratos com a empresa Sete Brasil e que tratava do assunto pessoalmente com Barusco. “Há uma relação direta entre as propinas do Petrolão e o dinheiro entregue a João Santana. Além de caixa dois, existe um flagrante crime de corrupção. E quem se beneficiou disso tudo foi a presidente afastada”, disse à ISTOÉ um dos procuradores da Lava Jato, na sexta-feira 22.

As revelações de Santana e Monica tornam insustentável qualquer tentativa da presidente afastada voltar ao Palácio do Planalto. E a reação de Dilma, mais uma vez, mostra sua total impossibilidade de se defender frente às acusações que lhe são feitas. Acuada, a presidente afastada recorre novamente à tática do avestruz e repete os gestos de seu padrinho Lula quando flagrado no Mensalão. “Não autorizei pagamento de caixa dois a ninguém. Se houve pagamento, não foi com o meu conhecimento”, escreveu a petista em seu perfil em um microblog, na manhã sexta-feira 22.

Horas depois de a presidente afastada se manifestar pela rede social, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) descreveu com precisão ímpar a reação de Dilma. “Me pergunto em que mundo a presidente afastada vivia. Haja óleo de peroba! Ou é amnésia seletiva ou cara de pau mesmo”, disse Ferraço. Certamente é o que pensa boa parte dos senadores. O comportamento de negação da realidade tem sido uma constante nas reações da petista. Ela o adotou, por exemplo, quando foi descoberto o escândalo com a compra da refinaria de Pasadena, que lesou a Petrobras em US$ 1,8 bilhão. Na época, Dilma presidia o conselho da estatal, responsável pela aprovação da negociata.

No início desse ano, ex-diretores da Petrobras disseram, em delação premiada, que o caso de Pasadena foi acompanhado por Dilma passo a passo. Entre os principais líderes petistas, as deleções de João Santana e de sua mulher, Monica Moura, são consideradas como as de maior octanagem. Santana acompanhou de muito perto as principais campanhas políticas do partido desde 2006 e, desde o segundo mandato de Lula, teve acesso direto ao gabinete presidencial. Se realmente contar tudo o que sabe, poderá implodir definitivamente não só a presidente afastada como também ferir de morte qualquer pretensão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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