Grande Cacique do PMDB se “enlambusou” com propina da Usina de Belo Monte

Jader Barbalho no centro da propina de Belo Monte. Executivo da Andrade Gutierrez detalha esquema de arrecadação que envolve o senador do PMDB.  Aguirre Talento assina matéria bombástica publicada pela revista Isto É.  A foto é de Adriano Machado.


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Flávio David Barra era o executivo da Andrade Gutierrez que guardava os segredos mais recônditos da corrupção da hidrelétrica de Belo Monte. Foi diretor da área de energia da construtora. Enquanto o então presidente do grupo, Otávio Azevedo, supervisionava as propinas, Barra negociava diretamente com as outras empresas e com os partidos envolvidos no acerto: 1% do valor da obra viraria propina, sendo 0,5% para o PT e 0,5% para o PMDB. Esse valor seria calculado sobre o contrato inicial de R$ 13,8 bilhões assinado pelo Consórcio Construtor de Belo Monte, formado por nove empreiteiras, e a Norte Energia, que tem o grupo Eletrobras como acionista. Depoimento obtido por ISTOÉ prestado por Flávio Barra aos investigadores da Procuradoria Geral da República, até hoje sob sigilo, traz novos detalhes sobre a obra. A principal revelação coloca o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) ainda mais perto da corrupção em Belo Monte.

Segundo Barra, um apadrinhado de Jader, o ex-senador pelo PMDB do Pará Luiz Otávio Campos, foi arrecadador da propina destinada ao partido, em substituição ao filho do então ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA). Luiz Otávio passou nos últimos anos por vários cargos do governo federal, incluindo de secretário-executivo dos Portos quando a pasta era comandada por Helder Barbalho (PMDB-PA), filho de Jader. Hoje, Luiz Otávio é assessor especial do ministro dos Transportes Maurício Quintella (PR), mas continua dando expediente na Secretaria de Portos. Procurado, Luiz Otávio confirmou conhecer Barra, mas “nega qualquer acusação de que tenha intermediado repasses ilegais”. Disse que as doações ao PMDB foram registradas legalmente.

De acordo com Flávio Barra, Lobão trocou o arrecadador do PMDB em 2013, em meio a um impasse sobre um aditivo na obra. “Nesse contexto, Edison Lobão disse ao declarante [Flávio Barra] que o intermediário do recebimento de vantagens indevidas destinadas ao PMDB não mais seria Márcio Lobão, mas sim Luiz Otávio Campos, ex-senador pelo PMDB/PA”, revelou. Barra ciceroneou o aliado de Jader junto aos empreiteiros dos quais deveria cobrar a propina. “O declarante apresentou Luiz Otávio Campos aos representantes das demais empresas integrantes do consórcio construtor”, contou. No caso do PT, o arrecadador da propina era o de sempre: o ex-tesoureiro João Vaccari Neto, preso em Curitiba desde o ano passado.

Jader já é investigado no Supremo Tribunal Federal sob suspeita de corrupção em Belo Monte. Também são alvos do inquérito o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO). Quando a investigação foi aberta, Jader disse que não tinha relação com as empresas de Belo Monte e negou as acusações. “Desafio que alguém possa dizer que teve algum contato comigo, que teve alguma contribuição”, afirmou. Os demais investigados também negam.

ADITIVO MILIONÁRIO

Igualmente escandaloso foi o impasse sobre um aditivo no contrato. Depois que as paralisações prejudicaram o cronograma da hidrelétrica, o consórcio construtor passou a exigir um aditivo milionário e suspendeu os pixulecos, em 2013, como forma de pressão. Só houve solução no ano seguinte. “Após assinado o aditivo, com acréscimo de 5% do valor da obra, os pagamentos de propina foram retomados”, disse Barra. O executivo da Andrade envolveu diretamente as outras oito empresas participantes do consórcio, como Odebrecht e Camargo Corrêa, e forneceu aos investigadores os nomes de cada um dos executivos que participaram da reunião para acertar a propina de 1% aos partidos. “Todos concordaram com o repasse de vantagens indevidas”, disse.

Os repasses eram feitos principalmente via doações oficiais. Só por Belo Monte, a Andrade teria pagado cerca de R$ 20 milhões. As outras pagariam proporcionalmente à participação no consórcio. Pela memória do delator, só uma vez a empreiteira fugiu à regra de pagar via doações: no final de 2011 ou início de 2012, repassou cerca de R$ 600 mil em dinheiro. O recurso foi entregue na residência de Márcio Lobão no Rio.

O que disse o delator Flávio Barra

“Edison Lobão [então ministro de Minas e Energia] disse ao declarante que o intermediário do recebimento de vantagens indevidas destinadas ao PMDB não mais seria Márcio Lobão, mas sim Luiz Otávio Campos, ex-senador pelo PMDB/PA (aliado de Jader Barbalho); que o declarante apresentou Luiz Otávio Campos aos representantes das demais empresas integrantes do consórcio construtor”

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