FHC fala em salvar empresas e PUNIR controladores envolvidos na Lava Jato

CREDITO: LAILSON SANTOS - 24.05.2011

Fernando Henrique Cardoso já não esconde sua posição pública sobre a Lava Jato. Fala abertamente sobre o assunto, diante da possibilidade concreta de ser escolhido pelo Congresso Nacional, para completar o mandato presidencial até 2018, caso Michel Temer seja afastado pelo TSE. A “devastadora”revelação do Ministro Gilmar Mendes de que a chapa Dilma/ Temer gastou mais de R$ 900 milhões, tendo declarado apenas R$ 360, fragiliza Michel Temer e traz FHC para um cenário “real e imediato” da política brasileira.


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Entrevistado por email pela Folha, “O tucano falou sobre o assunto com a reportagem do jornal paulista”

… Ele é citado por parlamentares, ministros, ex-ministros e advogados como uma peça chave na romaria de pesos pesados do PIB que –como revelou a Folha no último domingo (6)–, assustados com o avanço da Lava Jato, pressionam o Congresso a aprovar projetos como o novo marco legal da leniência e uma espécie de anistia para o caixa dois eleitoral.




Procurado pela reportagem, FHC negou ter conversado com políticos ou empresários sobre o assunto, disse ser contra qualquer “anistia” a delitos e defendeu a Lava Jato, mas reconheceu que o cenário de “quebradeira generalizada” alardeado pelo empresariado o consterna.

“Quanto a mim, a preocupação maior é com os efeitos da crise econômica, pela qual obviamente a Lava Jato não é responsável. Não endosso manobras que a atinjam”, escreveu FHC.

“Cabe à Justiça separar o joio do trigo e dosar que tipo de crime foi praticado e se foi mesmo. Isso não é tarefa para o Congresso”, continuou, numa referência à tentativa de um grupo de parlamentares de estabelecer uma linha temporal para o crime de caixa dois, punindo só o que for praticado daqui para frente.

“Outra coisa, como escrevi, são as necessárias medidas que preservem as empresas, mas não os delitos de seus donos e funcionários”, afirmou FHC.

“A estagnação em que estamos é grande e tem efeitos sociais e econômicos devastadores. É para resolvê-la que precisamos do que chamei de ‘trégua nacional’, não para anistiar culpados”, concluiu.

A última fala do ex-presidente é uma referência a artigo publicado por ele no último domingo (6) nos jornais “O Globo” e “O Estado de S.Paulo”. No texto, FHC pregou uma espécie de “trégua nacional” que desse espaço para o governo encaminhar “soluções jurídicas que mantenham as empresas ativas, salvaguardando os empregos e nossa capacidade produtiva”.

“Não estaremos à altura dos desafios se não afirmarmos que precisamos de uma trégua nacional, não para conciliar elites, mas para pactuar o futuro e pensar sobre ele”, escreveu FHC no artigo.

“Será preciso coragem para o STF [Supremo Tribunal Federal] deixar a Lava Jato cumprir seu papel de restaurador da moral pública, mas também manter vivo o respeito aos direitos individuais.”

“E o governo federal […] precisa encaminhar soluções jurídicas que mantenham as empresas ativas, salvaguardando empregos e capacidade produtiva, sem prejuízo da punição dos dirigentes que a Justiça julgar cabível”, pregou. “Caso contrário, não faltam capitais globais dispostos a adquirir na bacia das almas o que caro custou construir”, concluiu.

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