Eduardo Cunha “não morreu”: Fanfarrão, popstar e poderoso!

Cunha, na verdade, é um fanfarrão. Foi alçado ao poder na escassez de líderes políticos no país. Nos últimos trinta anos, líderes – se é que podemos chamá-los assim – giraram em torno de nomes como Lula, Serra, Maluf (!), Aécio, Marina, Alckmin, Itamar, Collor e outros menos cotados. Cunha chegou ao poder pelo método mais tradicional de fazer política, o fisiológico, e do franciscano “é dando que se recebe”. Em pouco tempo, virou um popstar até lembrado como candidato a presidente da república. Quis o destino – e obviamente – os escândalos da Lava Jato retirá-lo de cena. Cunha, porém, não vai se retirar do palco sozinho nem esperar que as cortinas do espetáculo fechem à sua frente no último ato. Ele vai carregar todo o elenco com ele.


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Se Cunha decidir falar, a casa cai. Ele é detentor de segredos impublicáveis da república nos últimos quinze anos. A história mostra agora que de esperto, na verdade, ele não tem nada. Vestiu-se de um personagem que agora sai de cena. Enquanto outros políticos envolvidos na Lava Jato preocupavam-se em tratar com zelo, respeito e elegância os procuradores que investigam a operação, Cunha, do alto da sua arrogância, sempre desafiou o procurador-geral Rodrigo Janot. Agora, sem mandato e, portanto, sem foro privilegiado, começa a falar fino. Diz-se arrependido do bate-boca e manda recado de que exagerou nas críticas ao procurador.

O Cunha não morreu. Ainda respira por aparelho. Sua morte política só deverá ocorrer se ele for condenado ou se submeter ao vexame da delação premiada. Muitos metidos a durão, como o Marcelo Odebrecht, não resistiram a solidão da prisão e abriram o bico. O Cunha é a caixa preta do PMDB. Se resolver falar não fica pedra sobre pedra. Ele já mandou recado e ensaiou do que é capaz ao culpar o partido pela sua cassação e a eleição de Rodrigo Maia para presidir a Câmara. Durante o seu processo de cassação, Cunha mostrou que é um cara abnegado, determinado e resistente a pancadas. Já anunciou que vai lutar com todas as armas para evitar a prisão da sua mulher envolvida no rolo do dinheiro no exterior e para isso não pretende poupar ninguém quando acionar a sua metralhadora giratória.

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A inversão do texto,  feita pelo editor do Cristalvox é uma homengamem ao jornalista Jorge Oliveira que conseguiu expressar, com exatidão, em – RESPIRANDO POR APARELHO, CUNHA VAI ACIONAR SUA METRALHADORA -, publicado originalmente no Diário do Poder, o que representou e representa Eduardo Cunha no cenário político do Brasil.

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