Briga de “cobra grande” no Palácio: O PMDB se organizou para fazer delito?

No ‘serpentário’ do Planalto, crise com Geddel escancara disputa no núcleo duro . ‘Homens fortes’ de Temer dão cotoveladas entre si, em busca de maior protagonismo. Nesta segunda-feira, Moreira Franco chegou a dizer que manutenção do colega na Secretaria de Governo não é garantida. Quem informa é a jornalista Vera Rosa do Estado de São Paulo.


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A nova crise que desembarcou no Palácio do Planalto após o ministro demissionário da Cultura Marcelo Calero acusar o chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, de tráfico de influência para tentar liberar um empreendimento onde tem um apartamento, em Salvador, escancarou a guerra no ‘núcleo duro’ da equipe. Embora o presidente Michel Temer ainda esteja esperando os desdobramentos do episódio para definir o destino de Geddel, muitos de seus auxiliares defendem a saída do ministro.

Em Paris, o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, disse que Temer está “muito preocupado” com as denúncias e não garantiu a permanência do colega no governo. “O PMDB não se organizou para fazer delito“, afirmou ele.

A declaração de Moreira expôs com todas as letras o confronto no Planalto. Na mira da Lava Jato, Moreira está há tempos em atrito com Geddel e com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Todos os três são considerados “homens fortes” do presidente e dão cotoveladas entre si, em busca de maior protagonismo.

Nos bastidores, o Planalto é conhecido como “serpentário”, tamanho o grau da disputa que ocorre ali. Moreira Franco não é, no entanto, o único a avaliar que a permanência de Geddel não está garantida e pode até ser uma solução para Temer. “Ele (Geddel) jogou no colo do governo uma crise que não precisava, numa semana que já tinha começado difícil e com a economia dando soluço”, disse um auxiliar do presidente.

Articulador político do Planalto com o Congresso, Geddel é quem está conduzindo, ao lado de Padilha, as negociações para a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos por 20 anos. A intenção de Temer é segurar no cargo, enquanto puder, seu amigo de quase 30 anos, até para evitar mais turbulências às vésperas da votação. Na prática, porém, tudo depende, mais uma vez, do que está por vir.

Em conversas reservadas, assessores do presidente lembram que, neste caldeirão de problemas, ainda estão por vir as delações do empresário Marcelo Odebrecht e de outros executivos, no âmbito da Lava Jato. Temer pretende fazer uma reforma ministerial após as eleições na Câmara e no Senado, em fevereiro de 2017. A dúvida, agora, é quantos auxiliares conseguirá preservar até lá.

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