Ambulância: Assim a “quadrilha” de Eduardo Cunha chamava Desembargadora do TJ do Rio

PF identifica 24 ligações de aliado de Eduardo Cunha a desembargadora do Rio.  Relatório da Operação Catilinárias, do Supremo, destaca que telefonemas entre prefeito de Nova Iguaçu,  Nelson Bornier (PMDB) e ‘Ambulância’ se deram entre 10 e 14 de dezembro de 2015; desdobramento da Lava Jato foi deflagrado em 15 de dezembro.


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Relatório da Polícia Federal aponta 24 ligações do prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PMDB), para a desembargadora Odete Knaack de Souza, do Tribunal de Justiça do Rio, entre 10 de dezembro e 14 de dezembro de 2015.

Bornier, aliado do ex-presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), foi alvo de busca e apreensão da Operação Catilinárias, desdobramento da Lava Jato deflagrado apenas 24 horas depois do último contato entre o prefeito e a magistrada. Bornier é próximo também do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB).

Catilinárias, deflagrada por ordem do Supremo Tribunal Federal, atingiu em cheio as principais lideranças nacionais do PMDB nacional.

Foram alvo de busca e apreensão, além de Bornier, o próprio Eduardo Cunha, Celso Pansera – na época, ministro de Ciência e Tecnologia do governo Dilma – e Henrique Eduardo Alves, então ministro do Turismo da petista, o senador Edison Lobão, o deputado Aníbal Gomes, braço direito do presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-deputado Alexandre José dos Santos.
A PF resgatou o histórico de chamadas telefônicas do prefeito de Nova Iguaçu e assim identificou os sucessivos contatos entre Bornier e a desembargadora.

O relatório da PF foi produzido no dia 15 de julho deste ano e anexado aos autos no Supremo na última terça-feira, 6.  Segundo a Federal, o número da desembargadora estava gravado no telefone de Bornier sob o senha ‘Ambulância’. O documento destaca que a agenda de telefones do aparelho celular, ‘estranhamente, tem gravado dois números com os nomes: Ambulância e Bombeiros’.

“Nos registros efetuados, há 24 chamadas efetuadas para o número 9****-**** (Ambulância). Não foram encontradas chamadas recebidas nem perdidas referentes a este número. O referido TMC está cadastrado em nome de Odete Knaack de Souza, atual desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro”, aponta o relatório. “Tal registro infere que Nelson Bornier possa ter alguma relação mais próxima com a magistrada, ainda sem qualquer relação com a investigação.”

O documento indica que 10 de dezembro de 2015 e 14 de dezembro de 2015, ‘período em que há registros armazenados, o telefone fora utilizado para efetuar chamadas a ambos os números, agora registrados com o DDD 021’. Para a Federal, ‘em uma primeira análise’, Bornier cadastrou ‘Ambulância’ e ‘Bombeiros’ usando ‘algum codinome’.

“Há 6 chamadas efetuadas e uma chamada perdida para o número 9****-**** (Bombeiros). Não foram encontradas chamadas recebidas deste número. O referido TMC está cadastrado em nome de Lucir Leone Bornier de Oliveira, atual esposa de Nelson Bornier. Dessa forma, cumpre registrar que foram encontrados dados relevantes para a investigação.”

COM A PALAVRA, O PREFEITO DE NOVA IGUAÇU, NELSON BORNIER
Por meio de sua assessoria de imprensa, o prefeito Nelson Bornier (PMDB) afirmou que a desembargadora Odete Knaack de Souza, do Tribunal de Justiça do Rio, ‘ligava insistentemente’ para tratar da PEC da Bengala. Segundo informação da prefeitura de Nova Iguaçu, a desembargadora estava ‘muito preocupada’ em saber quando a PEC seria promulgada e telefonava para Bornier disposta a saber notícias sobre o projeto de emenda constitucional. Felipe Bornier (PROS-RJ), filho de Nelson, é deputado federal.

A emenda constitucional nº 88, que altera o artigo 40 da Constituição Federal, relativamente ao limite de idade para a aposentadoria compulsória do servidor público em geral, e acrescenta dispositivo ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, foi promulgada em 7 de maio de 2015.

A Lei Complementar nº 152, que dispõe sobre a aposentadoria compulsória por idade, com proventos proporcionais, nos termos do inciso II do § 1º do artigo 40 da Constituição Federal, foi sancionada em 3 de dezembro do ano passado pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Conteúdo do Blog de Fausto de Macedo no Estadão, assinado pelo jornalista Nelson Burnier

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