dono da Caoa

A bilionária fraude de R$ 6,7 bilhões da CAOA, ligada ao PT

A investigação descobriu que, só entre 2013 e 2014, o grupo caoa enviou R$ 6,7 bilhões ao Panamá. As fraudes fiscais bilionárias de dono da Caoa, amigo do PT.


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O ano de 2011 foi memorável para o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono da Caoa, fabricante e revendedora de carros da marca Hyundai no Brasil. Seu conglomerado vendeu mais de 200 mil veículos, de fabricação local e importada – um número inédito para a companhia. Mais de 20 carros por hora saíam de concessionárias da marca coreana e abasteciam o bolso de seu único dono, que acumulou faturamento superior a R$ 10 bilhões naquele ano. A exuberância, no entanto, não se repetiria. Não só as vendas encolheram – foram apenas 70 mil carros vendidos em 2015 –, como a empresa e seu proprietário estacionaram no trevo de confluência das três maiores operações da Polícia Federal em curso no país, Lava Jato, Acrônimo e Zelotes.

Carlos Alberto é médico. Ele sempre sentiu pulsar mais forte a veia de comerciante do que a de salvador de vidas. No hospital onde deu expediente em Campina Grande, na Paraíba, nos anos 1970, criou em menos de um ano uma rede de realização de suturas que lhe rendeu dinheiro suficiente para investir em sua verdadeira paixão, os carros. Quando se mudou para São Paulo, na década de 1980, seu objetivo era criar uma rede de revendas que faturasse quase tanto quanto a montadora americana Ford. Aos amigos, Carlos Alberto, que hoje vive recluso em sua mansão no Jardim Europa, em São Paulo, com sua segunda mulher, Izabela, e dois filhos ainda crianças, Carlinhos e João, costuma dizer que “apertando aqui e ali, sempre é possível ganhar um pouco mais”.

No mesmo ano da prosperidade, 2011, a Delegacia da Receita Federal de Anápolis, Goiás, onde fica a fábrica da Hyundai, começou a investigar a Caoa. No último dia 27 de julho, após cinco anos, a Justiça Federal determinou o bloqueio de todas as contas bancárias e dos bens de Carlos Alberto, como também os de sua mulher, Izabela, de sua filha, Emanuelle, e de 12 empresas das quais o trio consta como sócio. O sigilo bancário também foi quebrado. A decisão, obtida com exclusividade por ÉPOCA, foi tomada para garantir o pagamento de R$ 5,2 bilhões em dívidas tributárias em nome do conglomerado Caoa, resultado de nove autuações feitas pela Receita entre 2011 e 2014, que se referem à sonegação de impostos sobre automóveis importados vendidos no Brasil. Os investigadores afirmam que, por mais que seu grupo tenha gozado dos mais diversos benefícios tributários concedidos durante os governos petistas – e de alguns outros, escusos –, Carlos Alberto apelou à sonegação de impostos na ânsia de “ganhar um pouco mais” e, mais recentemente, a um engenhoso sistema para escapar ao cumprimento da lei.

Conteúdo Epoca, assinado pela jornalista ANA CLARA COSTA Foto: Daniela Toviansky/ Editora Globo