Tranquem as reservas – diz Folha em editorial

E escondam as chaves durante o mandato presidencial de Dilma Rousseff (PT). Em desespero pelo agravamento da crise, o governo ameaçou dar ouvidos aos péssimos conselhos do PT. O partido pede, entre outras sandices, o uso das reservas internacionais para estimular a economia.


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Verdade que, na semana passada, Dilma negou essa possibilidade: “Jamais teremos uma pauta de uso das reservas que não seja proteção do país contra flutuações internacionais. Elas podem ter um papel em relação à dívida, mas não são a forma adequada para solucionar questões de investimentos”.

A distinção é importante, mas, no caso de um governo desacreditado, pode se revelar mera cortina de fumaça para viabilizar a guinada na política econômica exigida pelo PT e pelo ex-presidente Lula.

As reservas são um ativo do Banco Central, mas não podem ser consideradas riqueza acumulada. No caso brasileiro, os dólares foram adquiridos mediante emissão concomitante de dívida interna.

Há um custo envolvido, pois a dívida emitida paga juros maiores do que o rendimento dos dólares. Como contrapartida, dispondo desses recursos, o país fica mais protegido contra intempéries econômicas. Sem tal seguro, a atual crise seria ainda mais grave e o país estaria de joelhos perante o FMI.

Descarte-se, por inconsistente, a ideia de vender os dólares para expandir gastos ou investimentos. Além de provavelmente ser ilegal, o estímulo resultante, se é que algum, teria curta duração. Ao final, o país ficaria sem reservas, sem crescimento e ainda mais endividado.

É pertinente, por outro lado, o debate a respeito do nível adequado das reservas. O país conta hoje com um bom colchão, até maior que o sugerido pelo FMI. Em tese, seria possível vender parte dos dólares e reduzir a dívida bruta em algo entre 5% e 10% do PIB, economizando na conta de juros.

Mas há um pré-requisito: para que o país não corra riscos, é preciso antes estabilizar o crescimento das despesas obrigatórias e ajustar o Orçamento, sem o que o movimento carecerá de credibilidade e agravará os problemas.

A medida, portanto, não pode avançar num momento de instabilidade, muito menos levada adiante por um governo que comprometeu as contas públicas, quebrou a Petrobras e feriu gravemente os mecanismos de controle da inflação.

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