Terror no frio paulista: Quanto cobertores Hadad mandou roubar na madruga?

O Cristalvox não aceita patrulhamentos. Ontem tratou de um assunto gravíssimo: A ação “insana” do prefeito de São Paulo, Fernando Hadad(PT) que determinou à Guarda Municipal “caça” aos sem teto nas madrugadas frias da capital paulista: A ordem é tirar cobertores e colchões para que “morram”  de frio e deixem de ser um problema social para o “coxinha” petista.


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Indignados, muitos petistas que o Cristalvox nem sabiam que liam seus posts, atacaram uma matéria que tratava do assunto. Por sinal,  redigida por uma congregação religiosa que faz acolhimento diário a centenas de homens e mulheres que estão jogados à própria sorte. Contestaram, xingaram e negaram que isso possa estar acontecendo – tortura e assédio – por parte da guarda metropolitana de São Paulo – que segundo as denúncias, se tornou prática comum  “desmanchar os ninhos”. Se dó nem piedade, nas madrugadas frias da cidade mais “fria” do Brasil, trocam a abordagem social e humana, que deve oferecendo abrigo e acolhimento,  por um  tratamento cruel e criminoso.  Não são retiradas apenas as  cobertas que “atacam” o frio. Lhes são “surrupiadas” aprópria pele, numa alusão aos campos de concentração nazistas durantes a segunda guerra mundial.  O que faz Fernando Hadad, com a sua ordem insana é externar, sem nenhum pudor, sua ojeriza e desprezo pelos pobres que deveria proteger.

Vale a pena ler uma matéria publicada no blog de Alceu Castilhos aqui transcrita. Nela o padre Júlio Lancelotti é a personagem principal. Ele que se notabilizou pela defesa dos moradores de rua em São Paulo.

Escreve Alceu Castilhos: “O padre Julio Lancelotti tem larga trajetória na defesa da população de rua. Nesta terça-feira, após mais uma madrugada fria em São Paulo, ele publicou mais um protesto, em sua página no Facebook, contra a política executada pela Guarda Civil Metropolitana:

– Nestes dias mais frios e com chuva causa indignação ver a GCM tirando os cobertores da população de rua e destruindo as barraquinhas que são sua única proteção para a chuva e o frio. Junto levam cobertas, colchões, comida, água, remédios e documentos. Até quando a prefeitura agirá desta forma desumana, cruel e torturante?

Vale repetir a pergunta, direcionando-a ao prefeito: até quando, Fernando Haddad? E estendemos a pergunta ao secretário municipal de Direitos Humanos, Felipe de Paula (que sucedeu Eduardo Suplicy): até quando se permitirá essa tortura?

Padre Julio coordena a Pastoral da População de Rua. Não é a primeira vez que ele relata esse tipo de violência contra moradores de rua. Em entrevista à Ponte Jornalismo, no ano passado, ele contou que as ações ocorrem desde as gestões Serra/Kassab e que foram intensificadas na gestão Haddad: “Há ações para espantar, ameaçar, retirar, perseguir e bater nos moradores de rua”.

Não se trata de algo isolado. A repressão é no atacado: “Em muitos pontos da cidade. Parque Dom Pedro, Sé, Glicério, largo Santa Cecília, Vila Leopoldina, Mooca, Largo São Francisco, região de Santana, no viaduto Alcântara Machado. A situação é de muita violência. No Anhangabaú não se vê mais crianças”.

E, mesmo assim, se faz silêncio. Mesmo assim aqueles que se dizem de esquerda – ou os defensores do governo de Fernando Haddad – se fazem de distraídos em relação a essa barbárie. Por quê? Tudo bem espancar moradores de rua, desde que tenhamos ciclovias e corredores de ônibus?

HIGIENIZAÇÃO

Em 2013, Haddad determinou a retirada das barracas de camping, distribuídas por “uma entidade”, segundo o prefeito, aos moradores de rua. Motivo: são proibidas pela Lei Municipal de Uso e Ocupação do Solo. (Aguarda-se ação similar contra os grileiros urbanos.) A prefeitura disse que isso seria feito de modo “humanizado e aberto ao diálogo”: “Gestão Haddad orienta retirada de barracas de moradores de rua“.

Não é que o padre relata: “Imagine só, você cozinha um pouco de feijão, vem o GCM e chuta a comida?” Ele fala de uma higienização sistemática, como se os moradores de rua não fossem seres humanos. Conta que eles são ameaçados. Que se alega, como motivo para repressão, o tráfico. “Mas e o tráfico dos condomínios, escolas, universidades, esse ninguém vê”.

Não custa lembrar que direitos humanos elementares precisam estar acima dos interesses partidários. Reconhecer que a prefeitura tem, em várias outras áreas, políticas mais inclusivas, não significa fechar os olhos para a truculência da GCM. Significa que precisamos ser coerentes.

Ou concordamos com a retirada pura e simples de cobertores e barracas, e com a destruição de comida, água e remédios da população de rua (mulheres, crianças e idosos)? Só se gritará contra isso quando a violência for cometida pela polícia de Geraldo Alckmin?

Ou quando algum guarda mais descontrolado matar diretamente um morador de rua? (Em vez de deixá-lo morrer de frio?)

Basta de conivência.

Haddad vai continuar tirando os cobertores da população de rua?