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Sugerida quebra de sigilo do Presidente Temer

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Um relatório da Polícia Federal (PF) de 15 de dezembro de 2017 vê como “necessária” a quebra dos sigilos fiscal e telefônico do presidente Michel Temer (MDB) e de outros investigados por favorecerem empresas do setor portuário em troca de propina, informa nesta quarta-feira (31) o jornal O Globo.

A recomendação foi entregue ao delegado Cleyber Lopes, que conduz as investigações contra Temer e os núcleos políticos e empresariais envolvidos. A recomendação de quebra de sigilo também atinge os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Para que os políticos tenham a intimidade investigada, Cleyber Lopes deve enviar um pedido ao Supremo Tribunal Federal, uma vez que os investigados supracitados possuem foro privilegiado. De acordo com o jornal, não é possível informar se a recomendação foi encaminhada ao STF, uma vez que o processo tramita em segredo de justiça.

No relatório, os delegados da PF argumentam que a quebra de sigilo se faz necessária para aprofundar as investigações sobre transações imobiliárias de João Baptista Lima, o coronel Lima, amigo de Temer, com offshores. Lima é acusado de ter recebido propina em nome do atual presidente da República.

Outras pessoas físicas e jurídicas poderiam ter pago propina a a partidos e candidatos, sugere também a Polícia Federal no pedido.

O inquérito investiga a edição de um decreto pelo presidente que beneficiou empresas que atuam no porto de Santos. Temer assinou a nova lei em maio de 2017 e ampliou as concessões para companhias que já atuam no setor de 25 para 35 anos, prorrogáveis por até 70 anos.

Uma das empresas beneficiadas seria a Rodrimar, que teria feito lobby junto ao ex-assessor do presidente, Rodrigo Rocha Loures (MDB), que correu com a mala de dinheiro da JBS em outro caso.

A investigação foi aberta depois que interceptações telefônicas identificaram conversas suspeitas entre Rocha Loures e um diretor da Rodrimar, Ricardo Mesquita.

O relatório da PF aponta que o coronel Lima possuía em sua agenda no celular o telefone de José Yunes, ex-assessor e amigo de Temer, também suspeito de receber propina em nome do presidente. Relações entre Lima e Loures também são apuradas.

Na semana passada, o diretor-geral da PF disse à imprensa que foi anexado à investigação mais recente um inquérito antigo, dos anos 2000, que investigava o pagamento de uma “caixinha” de R$ 600 mil a Michel Temer também relacionado ao Porto de Santos.

Ao jornal, nem Temer nem Padilha nem Moreira Franco comentaram a reportagem. Em resposta recente a perguntas elaboradas pela PF, Michel Temer negou conversas com empresários sobre o decreto do setor portuário e disse que não acompanhou a tramitação do mesmo. O presidente garantiu que jamais recebeu proposta de propina.

Conteúdo Jovem Pan

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