silvana covatti

Silvana Covatti – Primeira mulher no comando do parlamento gaúcho.

covati vinicius reis



DeputadaSilvana Covatti, presidente da AL/RS, Senadora Ana Amélia e a Secretária Maria Helena Sartori

A deputada estadual Silvana Covatti(PP) vai presidir o parlamento do Rio Grande nos próximos 12 meses. Sua posse foi acompanhada pelo Governador do Estado José Ivo Sartori, pela Senadora Ana Amélia Lemos e mais de uma centena de autoridades.


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Leia, na íntegra o discurso de posse da Deputada Silvana Covatti

“Senhoras e senhores,

Sejam bem-vindos à Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

Neste momento solene, lembremos dos nossos primeiros deputados, os heróis farroupilhas, que nos legaram a coragem e a missão de zelar pela soberania do nosso Estado.

Chego, hoje, ao momento mais importante da minha carreira política. Antes deste dia houve uma longa caminhada.

Não chego aqui por favorecimento, tampouco ungida por qualquer tipo de concessão a uma mulher; mas sim por reivindicar, num caminho de renúncia, perseverança e determinação ao trabalho, a plenitude da minha cidadania.

Somo à minha própria história as trajetórias dos milhares de gaúchos e gaúchas que acreditaram em mim. A cada um deles, mais que manifestar gratidão, reafirmo meu compromisso de honrar a confiança que me foi depositada.

Os mais próximos conhecem a minha origem, uma origem de que me orgulho muito. Há trinta e dois anos, foi por intermédio da família que comecei a participar da política, quando meu marido, Vilson Covatti, foi eleito vereador em Frederico Westphalen, minha terra natal.

Eu não poderia imaginar, naquela época, que logo à frente estaríamos trabalhando lado a lado. Também não poderia imaginar que um dos nossos filhos se tornaria deputado federal.

Começo esta solenidade, fazendo um agradecimento especial à minha família, pelo companheirismo, pelo amor incondicional e pela solidez do afeto e do respeito que nos une: meu marido, Vilson, verdadeiro inspirador da minha caminhada política, meus filhos, Luis Antonio, Viviana e Franciele, o meu mais profundo muito obrigado. Agradeço também a meus pais pelos valores lá da base, minha mãe Adélia, que já não está entre nós, meu pai Antônio, meus irmãos e aos familiares aqui presentes. Sem vocês, a caminhada da vida não faria sentido.

À minha equipe de trabalho, incansável e sempre pronta, o meu reconhecimento.

Quero agradecer aos meus colegas de bancada, pela honra da escolha, e também ao Partido Progressista, ao qual estou filiada por absoluta convicção de ideário, pelas oportunidades que tive. Aos movimentos do Partido, em especial à Mulher Progressista, onde iniciei minha jornada política. Na figura do nosso presidente, Celso Bernardi, e da nossa senadora Ana Amélia Lemos, agradeço a cada apoiador de todos os municípios gaúchos.

Senhoras e senhores,

Estamos escutando pela primeira vez, em 180 anos, uma voz feminina a se pronunciar como presidente deste Poder de Estado.

São 180 anos!

Nestes quase dois séculos, fomos beneficiados com muitos avanços em todas áreas. Surgiram extraordinários artistas, doenças foram erradicadas. Novos meios de transporte já se ergueram e foram superados. A tecnologia promoveu atalhos, encurtou fronteiras. Muito conhecimento foi elaborado, acumulado e aperfeiçoado. O mundo de hoje, enfim, é absolutamente distinto daquela realidade de quase dois séculos atrás.

Mesmo assim, nem uma única mulher havia ocupado esta tribuna nas condições de hoje. Do mesmo modo que são raríssimos os rostos femininos em todo o registro que se fez da Revolução Farroupilha. Certamente não faltaram outras mulheres além da brava Anita Garibaldi, mas os paradigmas da época nos negaram o devido protagonismo. Muitas fizeram história, mas poucas deixaram seus registros.

Hoje, embora nosso País tenha como autoridade máxima uma mulher, os contrassensos ainda são evidentes. Observo a composição deste plenário – minhas estimadas colegas Zilá, Miriam, Stela, Manuela, Juliana, Regina, Liziane, Any –  e vejo como ainda somos poucas!

O mundo contemporâneo foi edificado também por mulheres que conduziram poderes de Estado; como, recentemente, a nossa ex-governadora Yeda Crusius.

Já houve mulheres comandando a Índia e a Argentina. Atualmente, o Brasil e o Chile. O próprio Estado de Israel foi conduzido por uma mulher, Golda Meir.

A História nos mostra que não faltam às mulheres o pulso firme ou a capacidade de governar, por mais adversa que se imponha a realidade.

A História mostra também que somos boas estrategistas; que somos exigentes, detalhistas, que sabemos gerenciar e que não nos falta coragem para as decisões mais duras.

Quando chegamos ao poder, sabemos o que fazer e cumprimos nossas missões. Quando chegamos. QUANDO chegamos.

Isto, senhoras e senhores, por que poucas de nós conseguem “chegar lá”.

Ao pensar nesta barreira histórica, lembro em especial de duas figuras públicas: Margaret Thatcher e Angela Merkel.

Não se trata, aqui, de emitir juízo no que se refere aos seus alinhamentos ideológicos, aos resultados de suas administrações, às suas concepções de Estado. As transformações ocorridas na Alemanha de Merkel foram, de maneira geral, mais positivas do que o turbulento período em que Thatcher governou a Inglaterra.

No entanto, numa comparação de biografias, é preciso que se reconheça: os obstáculos enfrentados pela primeira-ministra inglesa foram imensamente mais duros.

Por aqui, vejam como este caminho vem sendo lento. Muitas mulheres ficaram no anonimato, mas felizmente há alguns registros importantes.

Em 1880, por exemplo, a dentista Isabel Dillon exigiu na Justiça o direito de escolher seus representantes. Ela apelou à Lei Saraiva, que permitia a todo detentor de título científico a faculdade do voto. A semente estava plantada.

Mais tarde, em 1905, três mulheres insistiram tanto que conseguiram votar em Minas Gerais. Já em 1910, militantes lideradas por Leolinda de Figueiredo Daltro fundaram, no Rio de Janeiro, o Partido Republicano Feminino, uma afronta às autoridades da época. Em 1928, foi eleita a primeira prefeita brasileira: Alzira Soriano de Souza, em Lajes, no Rio Grande do Norte. Mas o voto feminino só foi definitivamente estabelecido em 1932.

Aqui na Assembleia, ainda levaríamos quase vinte anos para que Suely de Oliveira se tornasse, em 1951, a primeira mulher a ocupar uma cadeira.

A estrada aberta por Suely, como eu uma mulher do Interior do Estado, precisaria de outros 65 anos até que esta deputada, com muita honra, pudesse ascender à Presidência do Poder Legislativo.

Há mais mulheres do que homens no Rio Grande. E vejam, insisto, como ainda somos minoria em todos os colegiados. Inclusive neste. Por quê?

Se a porta de entrada para a política é a filiação partidária, tratemos de rever, como dirigentes, se as mulheres estão tendo o espaço que, por representatividade natural, deveriam ter. Vejamos até que ponto o instituto das cotas destinadas às mulheres se mostra eficiente.

Em outras instâncias da sociedade, as mulheres começam a ganhar destaque nos postos de comando. Nas grandes empresas, no empreendedorismo, na magistratura. Mesmo áreas que até pouco tempo atrás eram proibitivas, como a do agronegócio, estão mudando. Vejam o caso do jornalismo político, durante décadas quase proibitivo ao ingresso feminino. Cito, como exemplos, duas das nossas principais colunistas políticas, Rosane de Oliveira e Taline Oppitz. São mães, criam seus filhos e têm vida além da carreira. Aliás, por falar em mulher no protagonismo jornalístico e político, cito a nossa senadora Ana Amélia.

Mas, diferentemente delas, quantas outras mulheres não conseguiram chegar a esses espaços destacados?

Na vida, o caminho é difícil a todos. Mas, convenhamos, senhoras e senhores: ainda é bem mais difícil para as mulheres.

Orgulha-me muito a possibilidade de ocupar o cargo que a partir de agora me é confiado. Como me orgulham, profundamente, as minhas origens.

Venho de uma cidade do interior gaúcho, a minha querida Frederico Westphalen. Lá, em Frederico, comecei a trabalhar como professora, conheci meu marido, Vilson. Lá constituímos nossa família. Fui naturalmente conduzida como ser humano a partir de três valores: a família, o trabalho e a solidariedade.

No interior, o espírito de fraternidade é muito forte, é um impulso vital. Desde cedo aprendi, que o problema dos outros – do vizinho, do amigo, do parente, da pessoa que vive numa área mais modesta da cidade – eram tão importantes quanto os problemas da gente.

Daí, deste começo, ter sido tão natural meu ingresso no trabalho comunitário e, por consequência, na política.

Minha produção legislativa vem sendo dedicada às questões sociais, sobretudo às questões relativas à saúde pública. Não é por acaso.

Ainda menina, aprendi que a nosso município era uma família maior. Foi como tudo começou. E este mesmo espírito, garanto, ainda é o que me mobiliza. É o que me faz pulsar, é o que me guia em ideário, crença e projetos. É o que me guiou em cada um dos dias que vieram antes deste e o que me guiará nos dias que se seguirão.

No ano passado, atuei como primeira-secretária da Mesa Diretora. Foi uma experiência muito importante para a minha formação enquanto gestora pública. Na figura do nosso presidente, deputado Edson Brum, agradeço aos demais integrantes pelo aprendizado e pelo companheirismo. Como professora, por vocação, sempre estive disposta a aprender; e tenho aprendido muito com vocês.

Administramos com austeridade e promovemos cortes rigorosos. Mantivemos as portas abertas à participação das comunidades, fazendo com que reverberassem, daqui, as demandas de cada localidade gaúcha.

Foi um ano de desafios. Tivemos uma grande produção legislativa própria e também coube ao Parlamento receber, discutir, aperfeiçoar e submeter à votação um conjunto de medidas consideradas pelo Poder Executivo como fundamentais para a retomada do crescimento.

Além desta dura realidade, também convivemos com uma série de questões atípicas que exigiram respostas céleres, eficientes e isentas de qualquer corporativismo.

Os economistas são unânimes nas previsões: 2016 será muito difícil, ante as dificuldades das contas públicas. Ainda resta muito trabalho a ser feito para recuperar o Estado. E boa parte desta recuperação passa por aqui, pelo Palácio Farroupilha.

Não há, assim, descanso à vista.  Entretanto, asseguro que, com espírito cívico, cumprimos nosso papel em 2015 e, do mesmo modo, estamos preparados para envidar todos os esforços neste ano que se inicia.

Haverá divergências. Críticas duras. Serão travados todos os bons combates que caracterizam o regime democrático. Virão dias de ânimos acirrados. Mas tenho certeza, governador Sartori, que algo maior nos norteia. Oposição e situação se tornam condições menores quando se trata daquilo que realmente importa ao Rio Grande.

Nos momentos cruciais, a responsabilidade de cada deputado deve superar o dualismo e as rusgas naturais ao embate político. Na dificuldade, somos todos gaúchos. É desta maneira altiva que esta Casa se comporta desde a Revolução que dá nome à sua sede. Não será agora que iremos faltar.

Na administração que me coube conduzir, trabalharei tendo como diretrizes fundamentais a PARTICIPAÇÃO, a IGUALDADE e a GESTÃO.

O empreendedorismo. Que gera renda, que gera empregos e recolhe impostos, seja da indústria, do comércio, dos serviços, da agricultura e do agronegócio, terão nossa especial atenção.

Deste modo, quero aproximar ainda mais a Assembleia Legislativa dos cidadãos aqui representados. De forma colegiada, conto com meus colegas e minhas colegas deputados e deputadas para darmos continuidade à discussão propositiva dos grandes temas do Estado.

Pretendo também levar a atividade institucional do Parlamento ao encontro das comunidades, para que possamos, cada vez mais, aproximar a produção legislativa da origem física das demandas. Para que se conheça bem um problema e se encontre sua respectiva solução, é preciso ir até onde ele está.

Defendo um ano legislativo em que se preze pela harmonia entre os Poderes de Estado, mantendo nossa soberania sem jamais cerrar caminho ao diálogo. Mas serei firme nos momentos em que se impuserem decisões que competem à Presidência de maneira indelegável.

Como venho agindo desde o início da minha caminhada política, comprometo-me em trabalhar pelo todo. Mas estejam certos, senhoras e senhores, que trabalharei com especial afinco por aqueles que mais precisam do braço estatal. Pretendo impulsionar, assim, a estrutura legal necessária para o aperfeiçoamento das políticas públicas da área social.

No que se refere à administração pública propriamente dita, desejo tornar o Parlamento ainda mais eficiente, cada vez mais afinado com as práticas da moderna gestão. Quero que sejamos irradiadores, como referência para outros colegiados legislativos.

Determinada em honrar principalmente as mulheres que represento, as mulheres que nem sempre tem sua importância reconhecida, afirmo que me sinto preparada, disposta e comprometida a presidir o Poder Legislativo do Estado do Rio Grande do Sul.

Por vontade popular, passo a conduzir este Poder de Estado. Assim o farei, com todo o meu empenho, mantendo as tradições de probidade e transparência desta Casa.

São os meus compromissos.

Que Deus e Nossa Senhora Aparecida me guiem com todo o seu rigor e sabedoria.

Muito obrigado!