SARNEY ROSEANA

SARNEY TEMEU PELA PRISÃO DE ROSEANA – INFORMA RICARDO NOBLAT

Há, pelo menos, 66 políticos envolvidos com a roubalheira investigada pela Operação Lava-Jato. E o mais notável deles, por todos os seus méritos, é o presidente da Câmara.

Na manhã de ontem, ao acordar por volta das 9h no seu apartamento da Superquadra 302 Sul do Plano Piloto, em Brasília, um deputado nordestino de menos de 30 anos, que exerce o mandato pela segunda vez, ouviu do seu motorista que a Polícia Federal estava lá embaixo.


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Estava, de fato, à procura do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), companheiro fiel do senador Renan Calheiros (PMDB-AL)

Com poucas variações, a mesma cena já se repetira ou haveria ainda de se repetir em outros apartamentos da superquadra destinada à moradia de algumas centenas de deputados. Chegara a vez de quem? – se indagaram vários deles, aflitos.

A menos de dez quilômetros de distância, no Lago Sul, as casas situadas nas vizinhanças da QL 12 começaram a ser sobrevoadas por um helicóptero da Polícia Federal. O barulho acordou cabeças coroadas da cidade que temeram o pior. Os telefones tocaram.

Àquela altura, a residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados estava cercada por agentes federais. E o prédio da Câmara recebia a visita incômoda de agentes ocupados em devassar alguns gabinetes, entre eles o do presidente Eduardo Cunha e o do senador Fernando Bezerra Coelho.

Morador do Lago Sul, o ex-presidente José Sarney ligou, nervoso, para Renan. Queria saber o que estava havendo, e se sua filha Roseana, ex-governadora do Maranhão, citada na Lava-Jato, poderia também ser alcançada pela operação policial.

O Congresso virou uma delegacia de polícia. No passado, era impensável a entrada ali de policiais a serviço. Virou rotina. Mediante uma ordem judicial, eles entram e saem com frequência, e nada fazem além do que é sua obrigação. O problema não é deles, mas dos políticos.

A política degradou-se. Virou um meio de enriquecer com facilidade. Há, pelo menos, 66 políticos envolvidos com a roubalheira investigada pela Operação Lava-Jato. E o mais notável deles, por todos os seus méritos, é o presidente da Câmara.

Ninguém que se dê ao respeito, no exercício do terceiro cargo mais importante da República, e depois de ter passado pela humilhação de ver sua casa vasculhada pela polícia, se sairia com a desculpa de que não acontecera nada demais. De que tudo era normal. Não, não é normal.

E o mais espantoso: uma vez atingido na sua autoridade, foi consolado por boa parte dos seus colegas, voltou de imediato a presidir uma sessão da Câmara como se nada de grave se passara, e, salvo menos de meia dúzia de gatos pingados, não foi contestado por ninguém.

Não se diga que Eduardo está cada vez mais isolado porque não está. Grande parte da Câmara está com ele e obedece às suas ordens. Se não fosse assim, ele já teria caído. Não cairá tão cedo – se cair. Para prendê-lo, a Justiça precisa de autorização da Câmara. Ela dará?

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