Promotor “amordaçado” que investiga Lula diz que “ninguém está acima e à margem da lei”

Cássio Conserino, que conduz inquérito sobre tríplex no Guarujá que seria do petista, afirma que vai ao Conselho Nacional do Ministério Público para obter revisão urgente da liminar que suspendeu audiência do ex-presidente.


Este conteúdo é produzido por CristalVox. Apoie nosso trabalho curtindo nossa página

O promotor do Ministério Público de São Paulo Cassio Roberto Conserino leu nesta quarta-feira uma nota sobre o posicionamento da entidade em relação à decisão do Conselho Nacional do Ministério Público de suspender depoimento do ex-presidente Lula e de sua esposa, Marisa Letícia, na investigação que apura suposta ocultação de patrimônio no caso do tríplex no Guarujá. O documento, assinado por Conserino e os promotores Fernando Henrique de Moraes Araujo, José Reinaldo Guimarães Carneiro, José Carlos Guillem Blat, diz que o MP-SP apresentará informações ao CNMP para reverter a decisão e seguir com a investigação. A nota faz uma provocação a Lula ao dizer que ninguém está acima da lei.

“Os promotores de justiça condutores da presente investigação criminal levarão informações e documentos ao CNMP, a fim de obter urgente revisão e reversão da decisão proferida, para que possam cumprir o objetivo de apurar os graves fatos envolvendo pessoas que se consideram acima e à margem da lei”, leu Conserino.

O documento também ataca o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), aliado de Lula que entrou com a liminar para suspender o depoimento do ex-presidente. O texto diz que o parlamentar pediu providências “em nome alheio, e sem procuração para tanto”.

Os promotores alegam que o CNMP “certamente” foi induzido ao erro e que a suspensão prejudicou a investigação conduzida pelo MP paulista.

“A decisão (…), na véspera do ato do procedimento em investigação criminal conduzida pela Promotoria de Justiça Criminal da Barra Funda, é medida que prejudica o trâmite da investigação criminal”, diz um trecho. “O ilustre Conselheiro do CNMP certamente foi induzido em erro”.