Vai me torturar, deputada?

Vai me torturar, deputada?


Convidado para falar na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia sobre o monitoramento de movimentos sociais, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, se negou a repudiar as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre a edição de um “novo AI-5”, ato institucional assinado pelo então presidente general Costa e Silva em dezembro de 1968 e que aumentou a repressão da ditadura, com o fechamento do Congresso, proibição de sindicatos e suspensão de direitos e garantias individuais.

Augusto Heleno foi instado pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) a comentar a fala do filho do presidente Jair Bolsonaro. “O senhor ainda não se pronunciou sobre as declarações do deputado Eduardo Bolsonaro, não teve a oportunidade de repudiar a fala dele. Eu gostaria de pedir para que o senhor fizesse isso, senão vai me parecer letra morta”, disse Sâmia, que ressaltou que a ditadura foi responsável pela perseguição e tortura de milhares de pessoas.

Em sua resposta, o ministro afirmou que ele e Samia possuíam “visões diferentes da história”. “Para a senhora, foi um golpe. Na minha opinião, foi uma contrarrevolução, e, para mim, isso é uma obviedade. Se não houvesse contrarrevolução, seríamos uma grande Cuba”, disse.

Sâmia, então, afirmou, com o microfone desligado, que o ministro não havia respondido ao seu questionamento. “Não vou repudiar porque ele [Eduardo] repudiou. Ele disse que falou uma coisa que não é o que ele pensa. Preciso falar mais alguma coisa? Não, não vou falar. Vai me desculpar, mas não vou falar. A senhora vai me torturar?”, rebateu o general. Após o questionamento irônico do ministro, houve risos de parlamentares apoiadores do governo e reclamações de opositores.



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