‘Pílula do câncer’ é reprovada em primeiro teste oficial

Segundo as análises, ela tem baixo grau de pureza e pouco ou nenhum efeito sobre células tumorais, com desempenho muito inferior ao de drogas anticâncer já disponíveis há décadas.


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Os resultados foram divulgados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que investiu em testes da “pílula do câncer” após pressão de pacientes que relatavam melhora após usar a droga. O entusiasmo popular com a substância fez com que a Câmara dos Deputados aprovasse projeto que libera a produção, a venda e o uso da pílula. Ainda falta o aval do Senado para a legislação.

Desde os anos 1980, um grupo de pesquisadores liderado pelo químico Gilberto Chierice, hoje professor aposentado da USP, estuda a fosfoetanolamina e suas possíveis propriedades anticâncer. Chierice afirma que ele e seus colegas descobriram como produzir a substância (conhecida como “fosfo”) com “altíssimo grau de pureza”. Alguns estudos publicados pelo grupo indicam que a fosfoetanolamina seria capaz de matar múltiplos tipos de células cancerosas.

Não é, porém, o que sugerem os testes feitos a pedidos do ministério. Análises iniciais da Unicamp mostraram, por exemplo, que as pílulas possuem apenas cerca de 30% de fosfoetanolamina propriamente dita em sua composição – o resto são outras moléculas, algumas sem relação direta com o suposto princípio ativo da droga.

Embora a embalagem informasse que as pílulas tinham 500 mg, elas pesavam, em média, cerca de 300 mg. Dois testes da pílula, avaliando sua ação com cinco tipos de células de câncer, sugerem que ela pode ser quase inócua contra tumores.  Num deles, foi preciso usar concentrações de “fosfo” milhares de vezes maiores que as de drogas anticâncer convencionais para reduzir a proliferação das células tumorais. Em outro, houve um efeito anticâncer, de fato –só que causado pela monoetanolamina, um dos componentes da pílula. Nesse caso, também foi necessária uma concentração altíssima da substância para que o efeito aparecesse. Esses testes foram realizados pela Universidade Federal do Ceará e pelo Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos, em Santa Catarina.

“Em geral, se uma substância não funciona in vitro [em tubo de ensaio], nesses modelos mais simples de células, dificilmente ela vai funcionar in vivo [no organismo]”, diz o bioquímico Guilherme Baldo, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que comentou os resultados a pedido da Folha.
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http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/03/1752429-pilula-do-cancer-e-reprovada-em-primeiro-teste-oficial.shtml

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