Onça pintada… Preservação do símbolo do pantanal brasileiro

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População se recupera, e onças voltam a dar as caras em safáris no Pantanal


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A “caçada” começa cedo, aos primeiros raios de sol, com turistas se acomodando desajeitadamente nos assentos do barco a motor depois de um café da manhã pantaneiro, reforçado.

O piloto verifica os últimos detalhes enquanto faz contato, via rádio, com outras embarcações que se juntarão à empreitada. Todas têm o mesmo alvo: a onça-pintada.

As “armas” são um arsenal inofensivo –câmeras de última geração equipadas com lentes objetivas que se assemelham a telescópios. A maioria dos ocupantes, com sorrisos nervosos no rosto, não fala nada de português.

Em menos de duas horas, surge o que parece ser um pedaço de madeira a boiar no meio das águas do rio Cuiabá. “É ela”, aponta o piloto, desfazendo a primeira e destreinada impressão.

Turistas preparam as câmeras, testam o foco e silenciam à espera que o animal conclua a travessia do rio e surja, inteiro, diante de seus olhos e lentes. Uma chuva de disparos começa –e alguns mergulham tão fundo nas fotos que mal têm tempo de olhar diretamente o animal que se exibe à margem do rio.

No Pantanal, o turismo de pesca passou a dividir o protagonismo com os “safáris fotográficos”, consolidados há pelo menos cinco anos –já são uma das principais fontes de renda para guias, pilotos de barco e donos de hotéis.

E se antes o maior felino das Américas era artigo raro, coisa para turistas sortudos, hoje voltou a ser a estrela principal dos passeios.

“Em meses como setembro, se o turista passar dois dias aqui sem ver uma onça, recebe o dinheiro de volta”, afirma Ivan Freitas da Costa, 38, sócio do hotel Pantanal Norte, na região de Porto Jofre (em Poconé, a 140 quilômetros de Cuiabá).

EX-PRAGA

Antes perseguida como “praga” por criadores de gado, a onça se beneficiou da redução da pecuária extensiva no Pantanal e, em antigos territórios, como ao longo das margens dos rios Cuiabá, São Lourenço e Paraguai, a população vem se recuperando.

A ponto de resgatar empreendimentos hoteleiros da região. O Pantanal Norte, por exemplo, aberto há 40 anos, sempre teve na pesca seu chamariz. Mas, como a atividade tem seu auge entre maio e junho e é proibida em períodos como o da piracema (reprodução), o hotel ficava fechado por ao menos quatro meses do ano.

“Hoje, em épocas mais de seca, como agosto e setembro, a procura pela visualização de onça toma conta, até ficamos sem espaço para atender ao pescador”, diz Costa. O lugar, segundo ele, já tem reservas para 2018, dada a fama.

A certeza de ver o felino, diga-se, levanta dúvidas de ambientalistas, que acreditam que a aparição mais frequente de animais à beira dos rios possa estar ligada à “ceva” -espécie de isca que seria deixada pelos guias para os animais retornarem aos mesmos locais.

Segundo os empresários, isso é lenda, já que a prática é proibida desde 2011 por uma resolução do Consema (Conselho Estadual de Meio Ambiente), que também estipula distâncias mínimas para embarcações manterem dos animais (30 metros na água e 10 metros na margem).

O “trade” turístico criou uma associação para se “autofiscalizar”. (Conteúdo Folha)