O LEPROSO – PAULO ROBERTO COSTA O DELATOR DA LAVA JATO QUERIA O QUÊ? HERÓI NACIONAL?

A Folha publica neste domingo, 08 de nov, o desabafo do pivô da Operação Lava Jato. Paulo Roberto Costa desabafa: Virei um leproso! Mas queria o quê? Não tem mais poder, não tem mais dinheiro e seus amigos passaram a ser apenas conhecidos. Paulinho,  como era tratado por Dilma e Lula passou a ser apenas o Paulo Roberto… Leia matéria completa editada pelo competente jornalista Paulo Cesar Carvalho.  A foto é de Pedro Ladeira da Folhapress. Vale a pena.


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… Sem a barba esbranquiçada que lhe dava um ar de náufrago e com o cabelo curtíssimo, como um militar da Segunda Guerra, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa parece um homem novo: perdeu o ar arisco de quem nunca imaginara ser apanhado e passou mais de cinco meses preso na Polícia Federal em Curitiba (PR) e um ano em prisão domiciliar no Rio de Janeiro (RJ).

A mudança de humores tem uma razão. Desde 8 de outubro, ele cumpre regime semiaberto e pode sair de casa das 6h às 20h, de segunda a sexta. Parece uma maravilha, mas não está sendo fácil, segundo ele. Nesse primeiro mês, ele foi até a farmácia em Itaipava, o distrito de Petrópolis onde mora, almoçou num restaurante, no qual sentou de costas para a porta com boné e óculos escuros, e desceu até o Rio para renovar a carteira de habilitação, que venceu na prisão.

“Virei um leproso. Esse ano de prisão foi um ano de lepra. As pessoas fugiam de mim e continuam fugindo, mas isso está mudando”, diz em entrevista àFolha, a sua primeira após deixar a prisão, em setembro do ano passado. Ele se refere ao sumiço dos amigos, que se encontravam praticamente toda semana na casa da Barra da Tijuca (zona sul do Rio), para jogar buraco.

A principal mudança que Costa notou nos últimos dias é que os gritos de “bandido!”, que ouvia ao pegar um avião, são cada vez mais rarefeitos e estão crescendo manifestações de apoio ao acordo de delação que fechou com os procuradores e a PF na Operação Lava Jato. “As pessoas dizem: ‘Parabéns! Muito bem! Você entregou os políticos!'”.

É essa montanha-russa de sensações, misturada com a história de sua vida pré e pós-corrupção, que ele começou a relatar em letra miúda, num caderno espiral, que pretende publicar em livro. “Vou deixar claro no livro que errei”, afirma.

Lentamente, Costa começa a deixar a casa de montanha onde vive com autorização judicial, um imóvel de classe média com quatro quartos num condomínio fechado. “A simples compra de um pão na padaria virou um grande prazer. Ir na farmácia é uma alegria”, conta, rindo.

A tornozeleira eletrônica, no entanto, presa na perna esquerda e protegida por uma meia branca, continuará com ele até outubro de 2016.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/11/1703489-em-primeira-entrevista-apos-deixar-a-prisao-delator-diz-se-sentir-leproso.shtml

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