O leão virou um gatinho: Mia “baixinho” na jaula

Quando Marcelo Odebrecht foi preso há quase um ano — a se completar domingo que vem, dia 19 — seu comportamento era exemplo daquilo que, desde o início da Lava-Jato, mais desagradava à força-tarefa quando tinha que lidar com a Odebrecht: ele demonstrava arrogância e prepotência. No avião de São Paulo para Curitiba, quis viajar ao lado de um colega de empresa, também levado por policiais federais naquela sexta-feira.


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O Marcelo que hoje frequenta a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, é outro: aparente humildade, cabeça baixa e braços para trás são hábitos que parece ter incorporado, conta quem viu o antes e depois da prisão. Leva uma pastinha com suas anotações embaixo do braço, com detalhes de sua tentativa de colaboração. Até os mais sensíveis à agressividade da estratégia da Odebrecht no início da Lava-Jato (a empresa negava ter feito pagamentos no exterior, apesar das evidências) admitem a resiliência.

Na carceragem, uma das visitas mais frequentes é da irmã, que tem livre trânsito para estar com ele por sua condição de advogada. É ela quem leva e traz a pasta com a versões para proposta de colaboração. A negociação é conduzida com participação da Procuradoria-Geral da República (PGR), tendo em vista a extensa lista de políticos com foro privilegiado do cardápio da Odebrecht.

Só haverá acordo se Marcelo explicitar a razão de cada transferência para conta —ou bolso — de agente público. Ou seja, será preciso dizer especificamente o que a empresa ganhou dos políticos que beneficiou.

Conteúdo O Globo  e a foto é de Michel Filho