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O brasileiro está entre os povos que menos dormem em todo o mundo

Uma nova pesquisa mostra que fatores sociais influenciam no horário em que vamos para cama – e o quanto descansamos. Brasileiros, japoneses e cingapurenses vão para cama tarde e dormem pouco – Texto de Rafael Ciscati  – foto free imagens


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Quando era estudante de graduação, a cientista Olivia Walch, do departamento de Matemática da Universidade de Michigan, participou de um estudo que deveria avaliar a qualidade do seu sono. Durante alguns meses, ela foi obrigada a dormir e acordar nos mesmos horários. Os efeitos foram surpreendentes. “Eu me senti mais saudável e até perdi peso”, diz a pesquisadora. “Claro que essa foi minha experiência pessoal, e pode não valer para outras pessoas. Mas os resultados me deixaram animada”. Passado o estudo, e sem a obrigação de zelar pelo próprio sono, Olivia retomou a rotina desregrada de sempre – que incluía dormir tarde e em horários variados.

Olívia não é a única com dificuldades para controlar a regularidade do próprio sono. Pode admitir – frequentemente, você também se obriga a dormir mais tarde do que deveria para adiantar o trabalho do dia seguinte, responder um último email ou assistir a mais um episódio da sua série favorita no Netflix. Um estudo publicado por Olivia – hoje uma aluna de doutorado- e pelo professor Daniel Forger, também do Departamento de Matemática da Universidade de Michigan, mostra que esse é um problema global. O trabalho, publicado na revista científica Science Advances, recolheu dados sobre o sono de 8 mil pessoas em 128 países. Usou apenas os dados dos 20 países que mais contribuíram com informações. Eles mostraram que, motivadas por obrigações sociais, as pessoas em todo o mundo vão para a cama mais tarde do que seu relógio biológico julgaria saudável. Mas continuam acordando no horário que esse relógio interno aponta como o correto.




eu corpo conta com um relógio biológico que ajuda a determinar quais os horários ideais de acordar ou ir para a cama. Esse mecanismo é regulado pela quantidade de luminosidade, natural ou artificial, a qual você é exposto. Tradicionalmente, as pesquisas que tentam entender como dormimos acompanham o sono de voluntários em laboratórios. Um ambiente controlado e um bocado distante do dia a dia – o que prejudica os resultados. Olivia e Forge queriam dados que refletissem a realidade de maneira mais fiel. Em 2014, lançaram um aplicativo chamado Entrain, modelado para ajudar o usuário a se recuperar do jet lag. Quem viaja para fusos-horários diferentes leva um tempo para se acostumar ao novo ambiente. O Entrain ajudava a pessoa a se adaptar mais rapidamente: bastava dizer qual o horário de nascer e poer do sol no seu país de origem e seu horário habitual de dormir e acordar. O Entrain então recomendava horários de sono adequados, e dizia quando procurar ou evitar o sol. Tudo para uma adaptação mais rápida.
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