Leis da Física – por Glauco Fonseca

Ninguém em sã consciência poderia imaginar que o impeachment da petista Dilma Rousseff ficaria a esnobar a terceira lei de Newton, o Princípio da Ação & Reação, que diz: Se um corpo aplicar uma força sobre outro, receberá deste uma força de mesma intensidade, mesma direção e de sentido contrário. A Lei de Newton vai ainda mais longe e explica, de forma também exata, as forças e reações exercidas entre corpos no meio político. A exemplo do que também se aplica na natureza, Newton enunciou que as forças não se igualam e não se anulam, o que também é corriqueiro no mundo político e nos leva a pensar que estamos longe de algum equilíbrio na vida política brasileira, se é que um dia o tivemos ou o teremos.


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Um destes vetores, de intensidade relevante à força exercida pelo ato do impeachment, já começou e demonstra vigor para sugerir que o Senado poderá atuar tanto para um lado quanto para outro, antes do veredicto final. Levando-se em conta que o presidente da casa é Renan Calheiros, em sendo ele um líder do PMDB, foi natural que tenha executado sua função constitucional e presidido a sessão plenária de afastamento da presidente. No entanto, o mesmo Calheiros está sob ameaça iminente da Operação Lava-Jato e sabe que poderá ser denunciado e tornado réu por um ou vários delitos ligados ao Petrolão. Este fator – a intranquilidade de Renan – é um vetor contrário à consolidação do julgamento do impeachment no Senado, previsto para agosto deste ano. A depender de Renan, vencerá que lhe der mais.

A reação, portanto, já começou e, antes mesmo do que se imaginava, já assumiu contornos de verdadeira chantagem. Alguns políticos, em sua cândida esperança de que o afastamento de Dilma fosse ser seguido por uma distensão da operação Lava-Jato, surpreenderam-se e se manifestam decepcionados. Numa agenda comum que lhes tira o sono. O impeachment foi o “aperitivo” do que ainda vem adiante que, por ter punido sobremaneira o PT, deixou este ávido por compensação, pela companhia de políticos dos outros dois partidos que protagonizavam o acesso aos mananciais públicos de dinheiro sujo e fácil.

Michel Temer que se prepare para um volume quase insuportável de fogo amigo. Já começaram as tentativas de alteração da lei da delação premiada e de sustar a decisão do STF de levar à prisão condenados já em segunda instância. Concomitantemente, já surgem as pressões por nomeações em estatais, bancos e outras frentes onde o dinheiro flui. Na moldura disto tudo, o PT leva às ruas um povo incauto que se acha indultado após o impeachment, que cobra dos que assumiram há 13 dias, tudo que seu partido bandido se omitiu em fazer durante 13 anos. É chantagem pra lá, passeata pra cá, demissões da companheirada adoçando as páginas do Diário Oficial, sob o som do ranger de dentes dos que temem ir parar no xilindró de Curitiba.

Ação e reação. Newton estava certo. Pelas leis da Ação e reação e da Gravidade, o que vai cair de gente não tem no mapa…Menos a Operação Lava-Jato. Nesta, ninguém toca. Para a Operação Lava jato, vale, isto sim, a Lei de Lavoisier, que diz que a massa é conservada quaisquer que sejam as modificações químicas e/ou físicas que a matéria sofra: na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma. A Lava-Jato transforma o Brasil em um Brasil muito melhor.

Publicado originalmente no Diário do Poder