Governo transforma evento do Minha Casa Minha Vida em manifestação contra impeachment

Um dia depois de perder o apoio do PMDB, a presidente da República, Dilma Rousseff, organizou mais um ato político contra o impeachment dentro do Palácio do Planalto, durante o anúncio de uma nova fase do programa Minha Casa, Minha Vida, uma de suas vitrines eleitorais. Dilma levou dezenas de militantes de movimentos sociais e de moradia popular (MST, MTST, CONAM, FNL e CMP, entre outros) para transformar o evento oficial em uma manifestação política. Aos gritos de “não vai ter golpe”, os militantes acusaram de “golpistas” o vice-presidente da República, Michel Temer, o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
“Não existe essa conversa de não gosto do governo então ele cai”, disse Dilma. “Impeachment está previsto na Constituição, agora é absolutamente má fé dizer que por isso todo impeachment está correto. Para estar correto a Constituição exige que se caracterize crime de responsabilidade. Impeachment sem crime de responsabilidade é o quê? É golpe.”
Os militantes fizeram coro ao discurso da presidente. “Impeachment em si não é golpe, agora impeachment sem crime de responsabilidade e conduzido por um bandido na presidência da Câmara [Eduardo Cunha] é golpe sim senhor e não tem legitimidade”, disse Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Boulos disse à presidente que “banqueiros, empresários e o PMDB” não irão às ruas em sua defesa, mas sim “o povo da periferia”. “Já estamos mobilizados e vigilantes. Combateremos todos os fascistas e golpistas. Lutaremos com todas as nossas forças em defesa da nossa democracia, da nossa Constituição. Golpe nunca mais. Não vai ter golpe. Dilma fica”, gritou Bartíria Costa, da Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAN).


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“Temos certeza de que o golpe não é contra o teu governo, é contra os pobres dessa nação. E grande parte dos pobres está aqui hoje. Não vamos permitir que a democracia seja tomada de assalto. Não vai ter golpe”, disse Hélvio Mota, dirigente da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (FETRAF), vinculada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Conteúdo Veja, editado por Felipe Frazão