Dilma e o fogo olímpico: a imagem de um mandato em chamas

Sim, é verdade que Dilma Rousseff não anda muito cuidadosa com a própria imagem. Foi-se o tempo em que cada ato da presidente era minuciosamente calculado por João Santana, seu marqueteiro, preso pela Operação Lava-Jato e hoje recolhido à cadeia em Curitiba. A petista, acusada pelas famosas pedaladas fiscais, pedala (!) há meses nas proximidades do Palácio da Alvorada. Os passeios matinais são, invariavelmente, um prato cheio para fotógrafos. Nesta terça-feira, na chegada da chama olímpica ao país, Dilma ofereceu ao distinto público mais imagens emblemáticas do momento que atravessa. Às vésperas de ser afastada do Palácio do Planalto, lá estava ela diante do fogo que ardia na pira: o mandato presidencial em chamas se materializava na imagem de Dilma ardendo por trás do fogo olímpico. Há mais: para a festa, a rampa do Planalto foi transformada numa pista de atletismo. Em pleno processo de impeachment, com Dilma prestes a descer a rampa (e o vice Michel Temer contando os dias para escalá-la), a ideia de ornamentar o caminho com raias de corrida soa quase que como uma ironia. Já no fim da festa (sim, a despeito da crise em seu ápice, a Praça dos Três Poderes mais parecia um parque de diversões em dia de domingo), um ciclista parou para guardar uma lembrança do dia histórico. Estacionou sua bicicleta ao pé da rampa e se pôs a tirar fotos. Estava dada mais uma cena curiosa nestes tempos de pedaladas: uma bicicleta no sopé da rampa do Planalto. Dilma em chamas, a rampa transformada em pista de corrida, as pedaladas no Planalto… Em Brasília, hoje, as metáforas não poderiam ser mais apropriadas.
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