A nação sangra! Diz general presidente Clube Militar

Dentro de dois ou três meses, pouco mais ou menos, estaremos vivendo um momento decisivo para o futuro do Brasil. Falo, é claro, do dia D do processo de impeachment que até aqui determinou o afastamento provisório da presidente da República. Para D+1, apenas uma das alternativas: a volta ao que se foi ou a consolidação da indicação do presidente interino à frente do governo de transição que culminará com as eleições gerais de 2018.  Afirma em artigo publicado no site do Clube Militar, seu presidente General Gilberto Pimentel
Desde já uma constatação: o rito do processo, nos moldes atuais, carece de total revisão. Senão vejamos:
É absurda a situação que vivemos, um governo provisório acovardado, sem a necessária autonomia para adotar as medidas realmente necessárias ao reequilíbrio do País, e o outro, o responsável pela catástrofe, mantendo poderes que lhe são assegurados para seguir, por todo o longo tempo do seu impedimento, influenciando negativamente na ação do seu substituto. E a Nação sangrando, pois o que prevalece é o princípio do quanto pior melhor.
Claro que as dificuldades do governo Temer têm a ver, sobretudo, é com o alarmante nível de degradação ética e moral que se instalou no meio político. O Senado, por exemplo, que com expressiva maioria de votos determinou o afastamento de Dilma, e a quem está entregue a responsabilidade do veredito final, é hoje integrado, quase que totalmente, por investigados na Lava Jato e em outras instâncias da Justiça por conta do cometimento de atos ilegais ou criminosos no exercício da função legislativa.
Apoiam o atual presidente, mas nem sempre por razões justas. São venais, seus arranjos estão, via de regra, ligados a escusos interesses pessoais. Dentre eles o de livrarem-se da cadeia. Alguns, agora ameaçados pelas malhas da Lei, manifestam a intenção de rever seus votos. Homens sem o menor princípio. A situação é muito pouco clara.
É inegável que independente das pedaladas fiscais e de outros atos ilegais que a presidente processada praticou na sua gestão, o que pesou, de fato, para a decisão maciça do Congresso pelo seu afastamento, foi o fato de ela ter perdido as condições de governabilidade. E isso é fatal. Não adianta vir com a história de que isso só vale para o sistema parlamentar. Não é assim. Um governante repudiado pela nação, sem uma base política, desacreditado internacionalmente, com a economia em frangalhos e o risco de caos social não se sustenta em nenhum regime. Esse era o caso de Dilma. E continuará sendo assim em qualquer tempo, depois do seu exílio no Alvorada. Tal nível de desgaste é irremediável.
O presidente interino não chega a ser o líder que sonhamos, mas ele é a esperança disponível para a travessia desse período negro da nossa história política e garantir, num clima de relativa Paz, as eleições gerais de 2018. E aí que se ouça a voz da sociedade. E que tenhamos juízo.
A volta ao que ficou para trás, possível tem que se admitir, é o caminho certo para o desastre. Basta voltar nossas vistas para a vizinha Venezuela, principal parceira do lulopetismo. Deus livre nosso Brasil.
A instituição Senado e seus senadores tenham a certeza de que, nesse caso, a Nação não os perdoará. Que tenham um rasgo de patriotismo ou preparem, todos, seus epitáfios políticos. O que virá depois de D+1 está nas mãos deles e será de sua inteira responsabilidade.


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